..: COBOL :..

Publicado: 21 de fevereiro de 2012 em Programação
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“Common Business Oriented Language” ou simplesmente COBOL… Esta linguagem de programação já tem meio século, continua em uso e me traz sérias dúvidas que com certeza não são somente minhas:

1- Porque se fala tão mal dele nos fóruns e mesmo assim existem muitas oportunidades?

2- Vale a pena aprender COBOL?

Como não gosto de dúvidas, comecei a garimpar informações e mais informações à respeito e as dúvidas começaram a crescer, até que me deparei com informações interessantes sobre a linguagem: em meados de 1981 (olha só, eu nasci neste ano!), muitos já consideravam a linguagem ultrapassada, com mais de 27 anos de uso… afirmavam que já deveria estar morta à pelo menos 10 anos… porém, durante todo o tempo (até hoje, praticamente), a única coisa que acontecia era a troca de adversários (CLIPPER, PL/1, DataFlex, etc…) e ninguém conseguia fazer a linguagem cair em desuso… lógico! COBOL fora desenvolvido para neutralizar a crescente disseminação de linguagens proprietárias (aquelas que só funcionam na sua arquitetura original, limitando bastante o uso de hardwares distintos).

O COBOL foi desenvolvido possibilitando que o compilador de cada fornecedor convertesse os códigos escritos para sua linguagem particular, permitindo que o programa fosse executado em uma máquina de arquitetura diferente daquela onde o programa foi feito. Considerando que na época existiam muitas arquiteturas de hardware incompatíveis entre si, a ascensão COBOL continuava, se tornando cada vez maior. Além disso, a linguagem foi desenvolvida de forma que os programas fontes parecessem com documentos escritos em inglês, ou seja, ao invés de códigos complexos, existia praticamente um manual operacional da organização, que era executado pelos computadores e entendido pelas pessoas, sem que precisassem ser doutores em determinadas áreas do conhecimento. Antes do COBOL, até os programadores “penavam” pra auditar as funções dos sistemas.

Portanto, quando alguém diz que COBOL é ultrapassado, ou “não faz isso ou aquilo”, está bastante mal informado. Toda espécie de solução pode ser encontrada ou criada para COBOL ou em COBOL. Espertos são os que conseguem integrar o que já possuem em COBOL com novas tecnologias e linguagens e não perdem tempo tentando reescrever muita coisa que já estava funcionando.

À alguns anos, linguagens proprietárias como o Power Builder começaram a ser descontinuadas e quem investiu nessa tecnologia está se descabelando, enquanto quem manteve o COBOL segue em frente.

DÚVIDA 1 SANADA!!! O COBOL ainda existe e continua firme e forte, principalmente no mercado financeiro… o povo fala mal por não entender ou por achar uma linguagem obsoleta (ou por não entender por achar que é obsoleta). As grandes oportunidades são justamente pela falta de profissionais qualificados, que entendam a linguagem e sejam capazes de dar suporte em grandes sistemas “COBOLÍTICOS”.

Sem querer, a dúvida 2 também foi sanada: Normalmente, o mercado de COBOL paga os melhores salários. Não apenas pela escassez de profissionais, pois as faculdades preferem embarcar nas linguagens da moda e os interessados em COBOL precisam fazer cursos por fora (por sinal, bem caros), mas também pela maior importância dos sistemas escritos em empresas de grande porte que exigem profissionais capazes de assumir as responsabilidades inerentes.

A grande utilização da linguagem faz com que existam bilhões de linhas de código a serem mantidas. Aplicações que permanecem em funcionamento durante décadas passam por novos patamares tecnológicos. Muitas empresas optam por manterem seus sistemas em COBOL e isso exige que sejam feitas adaptações em milhares de programas, gerando assim oportunidades de trabalho.

Empresas que optam por trocar de linguagem também precisam de profissionais que conheçam COBOL, afinal fica bem mais fácil fazer uma conversão conhecendo as linguagens de origem e destino.

Em outras palavras, e sem exageros, em muitos casos uma única GRANDE ORGANIZAÇÃO investe somente em COBOL mais do que todas as organizações do mundo inteiro somadas investem em uma única linguagem de baixa plataforma (dentre as tantas que existem). O resultado é que a proporção do mercado em termos de valores e de quantidade de código a ser mantido é da ordem de 70% para COBOL – o resto fica para as outras linguagens. Se isso não garante “imortalidade”, ao menos aumenta bastante a “expectativa de vida” profissional para quem conhece essa linguagem quando comparada com qualquer outra opção.

Isso não quer dizer que as linguagens de micro não possam ser usadas nas grandes corporações, mas mostra porque elas se mantém na periferia (são periféricos dos mainframes): enquanto uma falha pode parar alguns micros ou servidores WEB a base de dados corporativa se mantém íntegra e em funcionamento, conhecer uma delas e também COBOL pode ser uma porta de entrada para que os profissionais tenham acesso ao departamento de desenvolvimento corporativo da empresa.

Finalizando: Aprender uma linguagem da moda é uma boa e ajuda a conseguir um emprego rápido. Num começo de carreira, você pode aceitar um salário mais baixo devido a falta de experiência, mas lembre-se: Logo você terá grande experiência e se souber COBOL as empresas que te buscarão serão grandes, e você poderá exigir um salário mais alto, pois terá bem mais compromissos do que no inicio da carreira.

… vou correr achar um curso de COBOL rsrsrs


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comentários
  1. Hamilton disse:

    Obrigado amigo, estou pensando em investir em COBOL, mas como vc disse, quase ninguém incentiva!!
    Sempre preferi atividades que não estão na moda, pra se diferenciar…Concordo com o que disse!
    Parabens amigo!!!

    • Cassio Faria disse:

      Pois é Hamilton… infelizmente temos esse lado preconceituoso do mercado: Pra que investir em uma linguagem “ultrapassada”?… Em minhas consultorias, estou cansado de ouvir este tipo de coisa… resultado: quando uma bomba explode (por exemplo: um contrato rompido com a empresa “x – fornecedora” e uma correria imensa da empresa “y – cliente” pra encontrar alguém que saiba determinada linguagem pra dar a manutenção)… oque acontece? O profissional que conhece a linguagem “ultrapassada”, pode pedir quanto quiser que a empresa vai pagar… e mais: este profissional com certeza será bastante disputado… Obrigado pela visita!!!

  2. Roberto Nunes disse:

    Acredito que essa dúvida se baseia no que se ouve tanto falar que a linguagem COBOL é ultrapassada, um verdadeiro dinossauro, criado em 1958 e que seu uso está em decadência.

    Bem, quando eu tinha 19 anos, também acreditava nisso, mas com o tempo percebi que existem fortes razões para se conhecer COBOL, e que ele deve durar por muito e muito tempo ainda.

    O que na verdade ocorre é que o trabalho de programação é apaixonante e os programadores se apaixonam então pela linguagem que usam e as defendem com unhas e dentes, e quando se fala das vantagens de outras linguagens, contra atacam falando mal de coisas que não conhecem ou não estão envolvidos com o problema para as quais foram criadas linguagens adequadas às soluções específicas.

    O que você precisa analisar, em minha opinião, é que tipo de programador você quer ser, pois existem linguagens demais e não dá tempo de ir fundo em todas elas, e se você quiser ser um bom programador tem que ralar, ir fundo mesmo, conversando com muitos programadores você vai ouvir diferentes opiniões “A linguagem X melhor”, mas o fato é que difícil alguma coisa ser absolutamente melhor que a outra, o adjetivo “melhor” precisa ser associado a uma determinada situação, “é melhor andar de moto do que de carro porque é mais fácil estacionar, escapa de engarrafamentos e gasta menos combustível”, mas também é verdade que “andar de carro é melhor do que de moto porque eu posso carregar muita bagagem, levando mais quatro pessoas e não pegamos chuva”.

    A idade de uma linguagem ou de uma tecnologia não é tão importante como pode parecer, para ilustrar me deixa fazer uma analogia com meios de transportes: Vamos pegar uma linguagem relativamente nova como Java e façamos de conta que ela é uma motocicleta, e a linguagem COBOL “jurássica” é um navio, bom navios existem desde os tempos das caravelas e são usados até hoje por que em certas necessidades são insubstituíveis.

    Os navios de hoje em dia são muito evoluídos em comparação com os da época em que foram inventados e isso não é diferente do que acontece com COBOL, o nome é o mesmo mas os compiladores COBOL disponíveis atualmente são muito mais sofisticados em relação ao que muitos possam ter tido contato, eles falam que COBOL é isso ou não faz aquilo pensando que COBOL ainda é o que viram.

    Vamos supor que você esteja entre o dilema de ser um motoqueiro ou um comandante de navio, bem é muito mais fácil conseguir trabalho de motoqueiro, estacionar uma moto por exemplo é muito mais fácil do que atracar um navio, é um outro mundo, os valores envolvidos no uso de um navio estão em outros patamares, apenas para pintar um navio pode se gastar um milhão de reais valor que daria para comprar umas duzentas motocicletas.

    Para ser comandante de um navio você vai ter que estudar muito mais do que para ser um motoboy, quando se fala de COBOL pode estar se falando de um transatlântico ou de um barquinho a remo, trabalhar com linguagens como Java, Delphi, VB, C++. C#, e enfim linguagem da moda dificilmente se chaga a uma posição além de piloto de lancha.

    Obviamente um comandante de transatlântico ganha muito mais que um motoqueiro, isso ocorre em função da responsabilidade maior que ele assume, voltando para linguagens o que eu gostaria de frisar é quando o uso da linguagem é recomendado.

    A linguagem COBOL foi criada para lidar com grande volume de informações e com os chamados sistemas de missão critica em mainframes, uma falha no funcionamento de um sistema desses pode causar enormes prejuízos, portanto tanto os softwares quando os hardwares são bem diferentes do que se encontra em microcomputadores, em um mainframe, centenas ou até mesmo milhares de usuários estão ligados a um mesmo computador, eles não podem travar ou reiniciar como acontece frequentemente com micros ou pegarem vírus do contrário a empresa perde muito dinheiro, então ela para melhor pelo trabalho dos melhores programadores para desenvolver programas e principalmente para tratar da manutenção dos programas que já estão em funcionamento.

    Quando se escreve um programa em C por exemplo, o objetivo é programar o computador, mas quando se escreve um programa em COBOL está se documentando um procedimento administrativo coorporativo, um programa COBOL além de ter que funcionar por muitos anos, é um documento que precisa ser entendido não só pela própria pessoa que o produziu mas por outros programadores e com urgência caso precise ser modificado por questões de legislação ou mudanças nas exigências administrativas da empresa , o uso da nova versão necessita de precisão acurada, o menor engano e a empresa perde valores superiores a anos do que seria o salário de um programador.

    Então as empresas pagam bem para profissionais qualificados e que possam assumir tais responsabilidades, ao passo que linguagens da moda costumam estar saturadas de profissionais nem sempre realmente tão qualificados, pois produzem muito código descartável e tendem a ter mão-de-obra muito barata.

    COBOL pode estar em uso tanto em pequenas como em grandes organizações elas tem tantas linhas de código escritas em COBOL que precisam ser mantida que não interessa se alguma outra linguagem venha a ser melhor ou se faz isso ou aquilo que COBOL não faz elas não podem nem pensar em deixar de usar COBOL embora também possam usar muitas outras linguagens associadas a ela, então você encontrar profissionais usando COBOL em microcomputadores não ganhando tão bem assim, Saber COBOL por si só pode não garantir que venhas a ganhar um bom salário, mas associado a um bom curso superior e inglês fluente pode ao menos dar alguma chance, procure o segmento de mainframes que carece de profissionais, as empresas ficam “roubando” programadores umas das outras, se você usar COBOL em microinformática encare isso apenas como treinamento, porque são as grandes empesas que pagam bem e elas usam mainframes onde não se usa essas linguagens de PC.

  3. xcodes disse:

    curso cobol gratis

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